terça-feira, 1 de setembro de 2015

Por que não consigo deixar de ser gay?


Pastor Alexandre Feitosa

Antes de responder a essa pergunta, é imprescindível entender a origem do sofrimento dos homossexuais. Nenhuma orientação sexual, em si mesma, produz sofrimento, ou seja, ninguém sofre por ser gay ou lésbica. Há, entre os homossexuais, uma sensação de inadequação e de anormalidade, fruto de uma sociedade que marginaliza os diferentes. O sofrimento de gays e lésbicas é resultado do alto grau de preconceito e discriminação a que estão expostos diariamente. Para gays e lésbicas cristãos, o sofrimento é maior, pois as cobranças e as expectativas da igreja e da família somam-se à pressão de outros setores da sociedade.
Orientação sexual não é uma característica passageira. Ninguém está gay, assim como ninguém está hétero. Se fosse um estado – como muitos afirmam – seria possível mudar. A orientação sexual faz parte da constituição emocional mais íntima das pessoas. Homossexualidade não é fase, não é tendência, não é inclinação, não é moda, muito menos comportamento. Homossexualidade é característica imanente (intrínseca), imutável e permanente de uma pequena parcela dos seres humanos.
É necessário, entretanto, responder a outra pergunta importante: por que homossexuais cristãos desejam mudar? Primeiro porque acreditam que a Bíblia condena a homossexualidade; segundo, porque anseiam ser parte do grupo majoritário e hegemônico, formado pelos heterossexuais. O anseio de mudança é motivado, portanto, por dois aspectos: um aspecto espiritual (fazer a vontade de Deus) e um aspecto social (ser parte do grupo de prestígio).
Há respostas para ambos os aspectos. Estudos teológicos realizados desde a década de 1950 revelam que não há condenação bíblica à homossexualidade. Em suma, esses estudos indicam que os atos homossexuais descritos nas Escrituras são cometidos NÃO por força de orientação sexual - conceito até então desconhecido - mas por influência de outros contextos: abuso sexual (Sodoma e Gomorra), prostituição cultual (Levítico 18.22, Deuteronômio 23.17 e 18), hedonismo/idolatria (Romanos 1) e devassidão (1ª Coríntios 6.9) (Aos que desejam conhecer melhor o assunto, sugiro a leitura dos artigos publicados neste Blog).
O grupo hegemônico não admite a presença dos diferentes. Sair desse grupo está fora de cogitação para muitos gays, que acabam pagando um preço caro demais. Sofrem pelo silêncio e pela solidão, pelo medo de compartilhar a dor, pela decepção de não alcançar o padrão exigido, pela carência afetiva, pela ansiedade quanto ao futuro, pelas expectativas da igreja e da família. De fato, é difícil aceitar a própria sexualidade nesse contexto. Há um falso conforto dentro do armário, mas ele é sufocante, traz dor, uma dor permanente, que aumenta conforme o tempo passa. É preciso acreditar que, em Cristo, há vida fora do armário! Há vida fora dos padrões impostos pela religiosidade.
Isaías expressa claramente o pensamento do Criador (leia Isaías 45.9). O que Deus está dizendo pelo profeta é o seguinte: minha vontade é soberana e deve prevalecer sobre a sua! Deus não admite que O questionemos como se Ele fosse passível de cometer erros! A tendência do homem é sofrer quando luta contra as determinações divinas (Ai daquele que contende com seu criador!). O apóstolo Paulo acrescenta: “Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim?” (Romanos 9.20). Apesar do imperativo bíblico, nossa atitude normalmente é conduzida pelas expectativas alheias. Acreditando fazer a vontade de Deus, permitimos passivamente que nosso coração seja violentado para se ajustar ao padrão das estruturas religiosas. Embora este mundo nos traga aflições, Deus não nos fez para o sofrimento. Nesse caminho, muitos perdem a fé e abandonam a Igreja.
Lembremo-nos: Deus não comete erros. Salomão escreveu: Ele fez tudo apropriado a seu tempo. Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim este não consegue compreender inteiramente o que Deus fez”. (Eclesiastes 3.11)
No afã enganoso de agradar a Deus e compor o grupo hegemônico, muitos se submetem a “tratamentos” que prometem mudanças. No fim, sem os resultados prometidos, a autoestima se esvai e o senso de valor próprio desmorona. O fracasso do processo gerará, inevitavelmente, sentimentos de impotência e frustração. Consequentemente, depressão e outras doenças psíquicas terão solo fértil. Não raro, alguns optam por medidas extremas, como o suicídio. Será que fazer a vontade de Deus conduz a tão profundos abismos emocionais e a cativeiros existenciais? Não! Jesus veio para que tivéssemos vida em abundância! (João 10.10b). Cristo convida cansados e oprimidos para dele receber alívio (Mateus 11.28). Enquanto a igreja convencional fecha as portas aos diferentes, Jesus abre seus braços e acolhe a todos, incondicionalmente (João 6.37).
Portanto, gays e lésbicas não conseguem mudar sua orientação sexual porque não está no coração de Deus que tal mudança aconteça. O Senhor deseja que nos aceitemos como obra de suas mãos, que encaremos nossa sexualidade como um dom divino, não como um castigo. Devemos ter o mesmo sentimento de admiração de Davi ao descrever sua própria formação no ventre materno (confira Salmo 139.13 e 14). Ser homossexual não limita a graça divina, não impede que sejamos chamados filhos de Deus (João 1.12). Isso não é autoajuda, é verdade que liberta! Nossa busca não deve consistir em fazer ou ser aquilo que a sociedade determina como padrão, mas em aceitar o que Deus determinou ao nos formar. Aceitar Sua vontade é experimentar algo bom, perfeito e agradável (Romanos 12.2). É preciso tomar posse dessa verdade. Deus não nos culparia por algo que não escolhemos ser. Ele é justo, é amor e misericórdia. Da mesma forma que ele não tem o culpado por inocente, ele não tem o inocente por culpado. (Naum 1.2 e 3). 

6 comentários:

  1. Parabéns pastor !! Ótima postagem! Por favor não deixe o blog desatualizado :(

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  2. boa noite pastor Alexandre estava lendo seu blog com o auxilio da biblia a procura de resposta,mais conseguir uma briga feia comingo mesmo,nao sei se o senhor passou por essa guerra, do seu eu interior com seu eu exterior,frequentei uma igreja inclusiva durante um mes,nao sei ate hoje como o endereço de uma igreja inclusiva foi parar num jogo de RPG.Tenho 40 anos,basicamente uma vida dupla,trabalhava o dia e a noite ia pra festas gays,guetos, saunas,pegaçao no cinema e domingo Igreja assembleia de Deus,usava a mascara do domingo e ia sabia que estava fazendo algo errado.isso ate dezembro de 2015 quando conhecir a igreja inclusiva mudou e esta mudando a minha vida,e uma mundança tao grande que ate agora nao tenho noçao do que estar acontecendo,resolvir parar de ir a igreja,talvez por estar ainda me sentindo sujo.nao por ser gay mais pela vida que levava,de pecado.

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  3. Se Deus em sua infinita bondade, na sua onisciência, e em todo seus esplendor e perfeição nos fez dessa forma, quem é o homem que vai dizer o contrario? afinal Deus não comete erros e sei agora que ele ainda me ama e também a outros assim como eu

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  4. desafortunadamente las personas llaman de gay,quien Vieron las manos,quien usa rosa,maldita sociedade

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