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terça-feira, 12 de maio de 2015

Quem Está Manipulando a Bíblia?



Uma das acusações mais frequentes ao nosso ministério como pastor inclusivo é a seguinte: “você está manipulando a Bíblia para justificar suas práticas.” Diante de uma acusação tão séria, faz-se necessário esclarecer quem, de fato, está manipulando as Escrituras para justificar ou confirmar suas convicções religiosas, “embasando” e perpetuando a condenação e a exclusão dos homossexuais.
Nós, cristãos, cremos que os textos bíblicos originais são isentos de falhas, divinamente inspirados e inerrantes, entretanto, o mesmo não ocorre com as traduções e paráfrases, que refletem, muitas vezes, a interpretação particular de seus mentores. Tais autores e tradutores não hesitaram em inserir o seu próprio pensamento em determinados versículos, a fim de conferir autoridade bíblica à sua maneira de entender as Escrituras.
Nossa proposta é desmascarar as traduções fraudulentas e provar quem, de fato, está manipulando e deturpando as Escrituras. Certamente isso não porá fim às acusações, mas será uma importante ferramenta de defesa para os cristãos inclusivos e de esclarecimento para os cristãos sinceros e que realmente se importam com a comunidade LGBT. Segue um dos capítulos do nosso livro. Entenda quem, de fato, está manipulando a Bíblia para justificar crenças, utilizando a autoridade das Escrituras para sustentar a homofobia religiosa. 


Romanos 1.26

Tradução Confiável:

Nova Bíblia Viva: 
Mesmo com a revisão, 
algumas adulterações
permaneceram.
“Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza.” (Almeida Revista e Atualizada)

Traduções Manipuladas:

“Esta é a razão pela qual Deus os entregou a paixões pecaminosas, a tal ponto que até suas mulheres se voltaram contra o plano natural que Deus tinha para elas e cederam aos pecados sexuais entre elas mesmas.” (Nova Bíblia Viva)

“Então aconteceu o pior. Como se recusaram conhecer Deus, logo perderam a noção do que significa ser humano: mulheres não sabiam mais ser mulheres, homens não sabiam mais ser homens. Sexualmente confusos, abusaram um do outro e se degradaram, mulheres com mulheres, homens com homens – pura libertinagem, pois de modo algum isso pode ser amor.” (Bíblia A Mensagem)

Análise Exegética

Como já foi abordado anteriormente, o sexo entre mulheres não é mencionado nas Escrituras. Esse é um dos fatos que reforçam a verdade de que a Bíblia não condena a homossexualidade, afinal, esta não é uma orientação restrita a pessoas do sexo masculino. Sendo assim, aos tradutores e autores é necessário fazer com que a Bíblia diga isso. Tal manipulação (inserção de palavras e sentenças ausentes no original) foi feita pela Bíblia Viva no texto de Levítico 18.22 e 20.13 e ocorre, também, no Novo Testamento, especialmente aqui, em Romanos 1.26.
Bíblia A Mensagem:
Paráfrase feita pelo consagrado 
autor Eugene Peterson
A tradução confiável se limita a dizer que as mulheres “mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza.” Não há no texto nenhum elemento definitivo que permita concluir que tais práticas sexuais, contrárias à natureza, refiram-se ao sexo entre mulheres. Muitas hipóteses já foram levantadas, inclusive relações homossexuais femininas, interpretação que não se sustenta pela falta de relatos históricos que descrevam o sexo entre mulheres. As práticas contra a natureza mencionadas por Paulo são específicas apenas quando menciona os homens. Nesse caso, os relatos históricos são abundantes, principalmente se levarmos em conta a cidade de Roma, local onde viviam os destinatários dessa carta paulina.

     Não sendo possível provar que Paulo fazia referência ao sexo entre mulheres, os autores da Bíblia Viva, da Nova Bíblia Viva e da Bíblia A Mensagem acrescentaram essa informação ao texto sagrado, fazendo-o, mais uma vez, dizer aquilo que o autor original não disse, deturpando o texto para ratificar interpretações particulares. Quem está manipulando a Bíblia?

"Quem está manipulando a Bíblia?"
revela as traduções, versões e paráfrases
bíblicas manipuladas.

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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Entrevista: Pastora Andrea Gomes


Em um cenário dominado pelos homens, a pastora Andrea Gomes é uma pioneira do Evangelho da Inclusão no Brasil. Natural de São Paulo, a pastora de 37 anos foi uma das primeiras mulheres a assumir o pastorado no Brasil. Em 31 de janeiro de 2013, a Igreja Apostólica Nova Geração em Cristo (IANGC) completará 2 anos. Com 2 núcleos (Lapa e Santo André - SP), a IANGC se caracteriza pelo estilo pentecostal e pela ênfase no evangelismo. Seu diferencial é levar a Palavra a regiões periféricas de SP, diferentemente das demais igrejas, concentradas no centro da cidade. Conheça um pouco mais dessa mulher corajosa que, gentilmente, nos concedeu a seguinte entrevista.
1) Conte-nos como ocorreu sua conversão. Ocorreu em uma igreja inclusiva ou tradicional? Se tradicional, houve conflitos com a sexualidade? Se sim, houve tentativas de mudança? A que conclusão chegou?

Conheci o Senhor Jesus com 13 anos de idade, quando participava de um movimento chamado Renovação Carismática Católica. Foi nesse período da minha vida, que inicialmente experimentei o mover do Espírito Santo. O conflito que vivi em relação a minha sexualidade foi em relação a mim mesma, pois de certa forma eu acreditava que DEUS me amava independente de qualquer coisa, porém nos meus pensamentos viver a minha homossexualidade seria trazer sofrimento para a minha família, e isso era algo que eu nunca deixaria acontecer. Então tentei levar uma vida conforme era de agrado à sociedade. Mas me barrei nos meus sofrimentos, pois não me sentia completa, estando com um homem. Até que um dia beijei uma mulher pela primeira vez, foi quando entendi que a felicidade era pra’ ser vivida. Senti-me liberta das prisões que eu mesma havia me colocado. Então para não entrar em “choque” com a igreja a qual eu participava, decidi sair, pois sempre acreditei que aquilo que se prega deve-se viver. A partir daí fiquei sem rumo espiritual, e pude vivenciar as coisas que o mundo oferecia. Mas os planos de Deus sobre a minha vida não poderiam ser frustrados, sendo assim, através de um panfleto conheci pela primeira vez uma igreja inclusiva, e com isso pude retornar ao primeiro amor, e assim me dedicar em espírito e verdade à obra de Deus. 

2) Fale-nos da Igreja Apostólica Nova Geração em Cristo. Como nasceu e qual a sua principal bandeira? Como tem sido sua principal estratégia de trabalho?


         Seguindo a orientação do Senhor, iniciamos em Novembro de 2009 um grupo de oração que tinha por objetivo levar a palavra da verdade e abençoar as casas quais nos acolhiam. Nos primeiros dias de 2010 realizamos uma poderosa Campanha: “12 dias de Clamor por 12 meses de Bênçãos”. Essa campanha foi o inicio de uma mudança no grupo de oração. Mudança tanto enquanto ministério como também nas vidas que ali se encontravam. No dia 31 de Janeiro de 2010 realizávamos o primeiro culto no espaço o qual o Senhor havia nos concedido, através do seu amor e da sua eterna misericórdia. Era culto de Santa Ceia, nossos corações explodiam de tanta alegria e felicidade, pois contemplávamos a concretização da promessa. E assim, pela vontade do Senhor, a Igreja Apostólica Nova Geração em Cristo é estabelecida na terra, sendo edificada sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra, no qual todo o edifício bem ajustado cresce para templo santo do Senhor. Somos homens e mulheres de Deus, que acreditam no amor infinito de Jesus pelo homem e sua criação. Queremos fazer a vontade do Senhor nesta terra e levar sua mensagem de salvação a cada canto deste planeta. Nossa estratégia é a mesma da igreja primitiva, ou seja, ser conduzida pelo Espírito Santo. Onde Ele nos permitir ir lá estaremos, pra’ Glória de Deus, e para que pessoas sejam salvas em nome de Jesus.

3) A NG tem estado presente em manifestações populares como a Marcha pra Jesus e a Parada Gay. Qual a importância dessas participações e o que se pode esperar delas?

Sim! Participar de manifestações populares também ajuda a igreja crescer.
A igreja precisa estar inserida num contexto social, para ser agente transformador, e divulgadora das boas novas. Essas participações, é uma das formas que temos de exercer o IDE, pois temos a oportunidade de chegar até as ovelhas perdidas da casa do Pai. Esperamos através disso a salvação de muitos.

4) Pastora Andrea, na última década o número de comunidades inclusivas vem crescendo no Brasil. Consequentemente, existem diferenças litúrgicas e doutrinárias como em outras denominações. Como você enxerga e avalia essas diferenças?

IANGC na Marcha Pra Jesus
Acredito que o crescimento do número de comunidades e/ou igrejas vistas como inclusivas, crescem devido uma demanda grande de pessoas que necessitam exercitar sua espiritualidade sem esconder sua sexualidade, ou seja, pessoas sedentas de querer servir ao Senhor, em espírito e verdade. Acredito que a liturgia e doutrina não nos convêm questionar. A verdade existe e esta na palavra de Deus, as pessoas ao procurar um lugar para congregar, precisam estar atentos a isso.

5) Como é ser líder em um país cuja tradição pastoral é masculina e onde as igrejas inclusivas são minoria?

Quando li essa pergunta logo me veio ao coração. - A minha Graça te basta!
E é só pela Graça mesmo que consigo estar à frente de um trabalho tão maravilhoso como esse de pastorear. Amo o que faço, e procuro fazê-lo com sabedoria.
Vejo que essa tradição de certa forma existe em nosso meio, e para isso nós mulheres, quando tomamos posse desse chamado de Deus em nossas vidas, precisamos agir de acordo ao chamado, ou seja com dedicação, com boa índole, com sabedoria e na autoridade que há em Jesus Cristo. De forma nenhuma devemos achar que somos” menos”, pois independente de ser homem ou mulher, o que difere no chamado é a importância que se faz dele em nossas vidas.

  
6) São Paulo é um celeiro de comunidades inclusivas, são pelo menos 5 igrejas bem estabelecidas. Como exercer o ministério pastoral em um cenário como esse? Não há riscos de competições e inimizades?

Temos que ter em mente o que disse Jesus, que a Seara é realmente grande, mas pouco os cefeiros, sendo assim temos ainda poucas igrejas em São Paulo, e é essa a visão da “Nova Geração em Cristo”. Procuramos agir com interação com outras igrejas, sejam elas inclusivas ou não, afinal de contas vamos todos morar no céu. É importante que as lideranças de cada igreja tenham essa visão, pois o inimigo é sujo e pode realmente querer implantar um clima de competição e inimizade, precisamos entender que a igreja de Jesus é una, ou seja um só Senhor, uma só fé, um só batismo. Há um só Deus e Pai de todos que atua acima de todos, por todos e em todos (Efésios 4.5-6).

7) Algumas igrejas inclusivas têm ganhado bastante destaque na mídia. Esse destaque é positivo ou negativo em sua opinião? Acha que a mídia tem sido fiel em revelar o que de fato são as igrejas inclusivas?

Batismo: sinal de crescimento!
Acredito ser de benção uma oportunidade na mídia, pois assim é possível divulgar a verdade que há em Jesus Cristo, e outras pessoas que ainda não conhecem as igrejas inclusivas acabam tendo a possibilidade de conhecer e se identificando podem congregar em espírito e verdade.
Vejo que em alguns momentos a mídia tem explorado essa oportunidade de uma maneira errônea, acentuando mais o fato da homossexualidade do que a importância de haver igrejas que não fazem acepção de pessoas.

 8) Que conselhos você daria a líderes de igrejas não inclusivas que enfrentam problema com a homossexualidade de alguns de seus membros?

Ser direcionado pelo Espírito Santo e/ou agir conforme Jesus agiria.

9) Pastora, para finalizar: que palavra daria àquelas pessoas que, sendo cristãs e homossexuais, sentem-se indignas de pertencer a uma igreja?

“Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai. O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Romanos 8, 15-16)

Unidade Lapa
Rua Belchior Carneiro, 26 - Lapa - SP
ao lado da estação de trem Lapa
(CPTM - linha 7 Rubi)

Unidade Santo André
Av. Queirós dos Santos, 184
Centro - Santo André - SP
na rua da estação de trem Santo André
(CPTM linha 10 Turquesa)
(11) 8028-6231 Oi
(11) 8591-0596 Tim
(11) 3661-7870 Fixo
Site:
http://ianovageracaoemcristo.webnode.com//


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Lésbica, Pais Cristãos, Um Desabafo...


O texto abaixo foi incluído aqui, principalmente para dar exemplos da vida real de pessoas de orientação homossexual e de como enfrentaram sua situação. Trata-se de mais uma ilustração do ponto de vista já manifestado de que, enquanto cristãos, nossa discus­são de questões ligadas à homossexualidade somente pode ser eficaz se pensarmos em termos de pessoas reais, e não só em termos de ideias e preconceitos da nossa herança cultural.


Eu sou lésbica. Também sou musicista, amiga, esportista, cozi­nheira, "do lar" e ser humano. A maioria desses atributos não tem sido causa de irritação ou desprezo por parte de outras pessoas. Por alguma razão ilógica minha orientação sexual é o foco da aten­ção de muita gente, acima e além de todas as outras partes da minha personalidade que me fazem quem eu sou.

Fui criada numa família branca, de classe média, pai e mãe, uma irmã, neste país rico e predominantemente cristão que é a Nova Zelândia. Com todos os privilégios da minha criação, não me faltaram oportunidades na infância. Mas todas as oportuni­dades do mundo não me pouparam das realidades da vida.

Na minha língua, que é o inglês, eu optei por me chamar de queer (diferente, estranho), uma vez que esse termo para mim engloba gays, lésbicas, pessoas transexuais e bissexuais. Essa pa­lavra tem sido usada como termo depreciativo, mas eu optei por resgatá-la como termo inclusivo para aquelas pessoas entre nós que têm orientação sexual diferente das pessoas heterossexuais. Tenho orgulho de pertencer a esse grupo de pessoas que estão lutando para educar gente ignorante e intolerante no sentido de que ser queer não é ruim, nem doentio, nem pecaminoso.

Mas embora a vasta maioria de nós leve uma vida perfeita­mente aceitável e, ouso dizer, normal, continua existindo um segmento da sociedade que abusa de nós na mídia, em nossos empregos e em nossas comunidades.

Fico perplexa e acho ridículo que boa parte desse abuso pro­vém de organizações e igrejas cristãs. Fui educada por pais cris­tãos e frequentei uma igreja presbiteriana até os 15 anos. Não sou cristã nem pertenço a uma organização religiosa ou a um grupo religioso. Não compreendo como gente que se chama cristã possa pregar amor e perdão para alguns e ódio e condena­ção para outros.

Depois, há aquelas pessoas que dizem apoiar a comunidade gay, lésbica, transexual e bissexual, mas continuam a perpetuar mitos acreditando que a vida seria mais fácil para nós se fôsse­mos heterossexuais. A vida com certeza seria mais fácil para nós se acabasse a intolerância de alguns heterossexuais. E uma gros­seria e um insulto ouvir dessa gente que prega a aceitação que, para a vida ficar mais fácil para mim, quem deve mudar sou eu, e não eles.

Cerca de quatro anos atrás, tomei a decisão de que não mais me permitiria reprimir minha orientação sexual só para não cau­sar embaraço a outros que não aceitam as pessoas como elas são. Tomei a decisão muito pessoal de ser franca sobre minha homossexualidade de uma forma não-confrontacional, em to­das as situações sociais. Seria legal não ter que fazer isso, mas parece ser a única maneira de fazer com que parem de supor que eu seja heterossexual. O processo de se assumir publicamente é profundamente pessoal, e revelar a orientação homossexual de um indivíduo sem a sua permissão é invadir sua privacidade.

Ser lésbica é muito mais do que simplesmente ter uma relação sexual com outra mulher. Compartilhamos uma parceria cheia de amor, prazer e compromisso. Na minha opinião, esse é o tipo de relação que a Igreja poderia e deveria apoiar.

Espero que isso aconteça enquanto eu estiver viva.*

Jolleen Cherry

Confira nos artigos mais recentes, a história da família de Jollen contada por sua mãe!

Depoimento extraído do livro Encarando nossas diferenças, do pastor presbiteriano Alan A. Brash.


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