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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Conversa Franca sobre a Criação

Por Alexandre Feitosa

Pesam sobre os cristãos homoafetivos inúmeras acusações. Por defendermos a homoafetividade à luz das Escrituras, não deveríamos esperar outra acusação maior senão a de que distorcemos a Palavra de Deus como apoio à nossa expressão afetiva. A seção “Conversa Franca” vem desmitificar tais acusações e, graças ao uso adequado da Exegese e da Hermenêutica – métodos legítimos de interpretação bíblica – temos revelado quem, de fato, adultera ou descumpre os textos bíblicos, promovendo reflexão e uma NOVA VISÃO acerca do uso que se faz das Escrituras.

É comum ouvirmos a frase, em tom sarcástico: Deus criou Adão e Eva e não Adão e Ivo; Deus criou homem e mulher! Não temos dúvida de que tal afirmação é verdadeira, os homossexuais ou são homens ou mulheres! Fomos todos feitos à imagem e semelhança do Criador! Mesmo as pessoas transgêneros apresentam em sua identidade a essência da criação: os gêneros masculino e feminino.

“Criou Deus, pois, o homem à sua imagem e semelhança, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Gênesis 1.27

Sabe-se, hoje, que a sexualidade humana é algo complexo e que vai além das noções de masculino e feminino, vai além da noção de genitália. No ato da criação, observamos uma das principais funções do seres humanos naquele momento: a procriação e o povoamento da Terra.

“E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a Gênesis 1.28ª

Nesse contexto, a única possibilidade era a heterossexualidade. Diante desse fato, concluímos que o texto de Gênesis é uma descrição do que se vê como padrão para a maioria e não uma prescrição daquilo que deve ser obedecido por todas as pessoas, do contrário, como criaturas suas, todos os homens e mulheres seriam heterossexuais, pois o Criador não seria incoerente a ponto de impor uma sexualidade contrária a seus princípios a milhares de seres humanos  - sexualidade muitas vezes imutável - a fim de fazê-los seguir um único modelo de afetividade. Jesus menciona essa grande verdade da criação, mas reconhece, também, que nem todos estão aptos a receber os conceitos sobre o casamento heterossexual:


"Disseram-lhe seus discípulos: Se assim é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar. Ele, porém, lhes disse: Nem todos podem receber esta palavra [submeter-se ao casamento heterossexual, o único possível sob a ótica judaica], mas só aqueles a quem foi concedido. Porque há eunucos que assim nasceram do ventre da mãe; e há eunucos que foram castrados pelos homens; e há eunucos que se castraram a si mesmos, por causa do reino dos céus. Quem pode receber isto, receba-o." (Mateus 19.10, 11 e 12) Grifo do autor.


Gênesis deve ser contextualizado, do contrário, encontraremos nele base para que, hoje em dia, irmãos se casem com irmãos, afinal, a multiplicação da espécie humana sobre a terra se deu por meio de tais casamentos. Da mesma forma, surgem outras questões: Será que os que escolhem permanecer solteiros estão em pecado por não se casar? (“Deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher”. Gênesis 2.24). Será que as pessoas inférteis estão em pecado por sua incapacidade de gerar filhos e encher a terra? Certamente que não. O contexto envolvido na criação é único, a realidade atual é bem diferente daquela. Transportar a descrição do Gênesis como regra para os dias atuais é uma grande incoerência! Afinal, a Bíblia não deve ser cumprida de forma seletiva, conforme a capacidade de uma maioria em detrimento de uma minoria.

Muitos homossexuais, desconhecendo certas verdades bíblicas, motivados pelas crenças generalizadas do Cristianismo tradicional, entregam-se ao casamento heterossexual, têm filhos, têm companhia, agem conforme o texto do Gênesis, mas são infelizes, pois lutam contra uma condição que lhes é própria; lutam contra um modelo que lhes foi imposto pela sociedade desde a infancia; abrem mão de suas reais necessidades afetivas para cumprir um "mandamento" como porta de entrada em um grupo sexual dominante e o prestígio por ele representado. Há uma pressão latente sobre muitos homossexuais, sobretudo os cristãos! Os jovens "devem" uma espécie de resposta ou satisfação à família, aos amigos, e à igreja. O resultado disso é uma infelicidade solitária e clandestina, a frustração, o sentimento de fracasso e, em muitos casos, infidelidade conjugal e depressão. Incentivar tais casamentos a todos não é ser favorável à família, mas ser contra ela! Antes um lar homoparental* feliz, sustentado pelo amor, que um lar heterossexual infeliz, sustentado por convenções sociais e religiosas. Qual deles reflete os princípios cristãos? Como lido acima, o próprio Jesus afirmou que o casamento heterossexual não era para todos.

Para mais detalhes sobre as palavras de Jesus, clique AQUI.

Todos os homens são obra das mãos de Deus, independentemente de sua afetividade. Deus não criaria uma classe de pessoas predestinadas à condenação. Os avanços da ciência já comprovam que a sexualidade não é algo adquirido ou aprendido. Quem ensinaria seu filho a ser gay ou quem escolheria essa condição em uma sociedade tão preconceituosa? Ninguém, certamente. Assim como a heterossexualidade, a homossexualidade impõe-se ao ser humano. 

Todas as pessoas são capazes de amar e ser amadas, com intensidade, com sinceridade. O amor e a capacidade de amar provêm de Deus:

“Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus”. 1João 4.7

O que Deus condena é a fornicação, a prostituição e a devassidão, sejam cometidas por heterossexuais ou homossexuais. Felizmente, já há versões bíblicas - de eruditos não inclusivos! - que apoiam essa verdade:

“Quem usa e abusa das pessoas, do sexo, da terra e de tudo que nela existe não se qualifica como cidadão do Reino de Deus. Estou falando de libertinagem heterossexual, devassidão homossexual, idolatria, ganância e vícios destruidores”.
 (1ª Coríntios 6.9 - Bíblia “A Mensagem”, 2011, Editora Vida)

“Temos consciência de que a Torah não tem por objetivo a pessoa justa, mas quem negligencia a Torah: descrentes, ímpios e pecadores, quem mata pai e mãe, assassinos, pessoas sexualmente imorais – quer heterossexuais quer homossexuais – vendedores de escravos, mentirosos e perjuros, e quem age de forma contrária à sã doutrina”.
(1ª Timóteo 1.9 e 10 – Bíblia Judaica, 2011, Editora Vida)

Deus jamais condenaria o amor entre iguais, exatamente porque tais relacionamentos, por meio do companheirismo, do cuidado mútuo e de tantos outros sentimentos e atitudes  refletem os princípios divinos do ágape. Portanto, querido leitor, se você é cristão e homossexual, NÃO se sinta fora do plano de Deus para sua vida afetiva! Não se prive de vivenciar o amor, pois este vem de Deus!

Quer aprofundar este estudo? Não deixe de ler os livros “Bíblia e homossexualidade: verdade e mitos” e “O Prêmio do Amor”.

*Designação dada aos casais homoafetivos que vivem juntos e possuem filhos, quer biológicos, quer por adoção.
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