Em certo culto de minha igreja, Comunidade Athos, inclusiva, notei a presença de uma jovem senhora. Seu semblante logo me chamou a atenção: seu olhar era triste, traduzia certa frustração e um forte sentimento de impotência e incerteza, embora estivesse atenta ao culto como que a buscar um refrigério para seu coração. Durante as apresentações daqueles que estavam ali pela primeira vez, descobrimos que se tratava da mãe de um de nossos membros, cuja relação homoafetiva já dura mais de dois anos. Lembro-me de ter participado do culto apresentando um louvor. Ao fim da celebração, algo curioso aconteceu: aquela mulher procurou-me e me disse: “estou com muita vontade de abraçar você!”. Ali, nos abraçamos, e, naquele abraço, pude perceber um sentimento de amor maternal. Talvez eu jamais entenda o significado daquele abraço, mas havia amor nele, pude sentir.
Senti que ela mulher cristã buscava respostas, buscava conhecer em que mundo seu filho vivia... Deus estaria ali? Deus ouviria e receberia aqueles gestos de oração, de adoração e louvor? Deus aprovaria os relacionamentos afetivos daquelas pessoas? Aquela busca por compreensão plena da condição de seu filho fez-me entender o quanto os pais podem sofrer pela condição homoafetiva de seus filhos. Foi uma experiência tocante.
É claro que em uma sociedade heteronormativa como a nossa, poucos são os pais que continuam a celebrar a vida de seus filhos ao saber que são gays ou lésbicas; poucos são capazes de enxergar o filho além de sua orientação sexual; poucos são os pais que os abraçam dizendo-lhes “Filho (a) está tudo bem! Nada mudou! Eu te amo da mesma forma!”; poucos são os pais que não se deprimem, que não se entristecem, que não pensam “o que os outros vão dizer, meu Deus?! O que fiz de errado?!” Tais reações e questionamentos são compreensíveis em virtude do contexto cristão em que vivemos.
Com os pais cristãos tais sentimentos são ainda mais intensos e destrutivos! Como entender que um filho, criado em um lar cristão, segundo os princípios bíblicos, tenha “se tornado” gay, lésbica, bissexual ou transgênero? Nesse ponto, em vez de ajudar, a Igreja reforça os conceitos tradicionais que imputam à homossexualidade um caráter doentio, degradante e até mesmo espiritual – sim! Falo de possessão demoníaca! É difícil a tais pais, conhecendo o caráter de seus filhos e a trajetória cristã de muitos, os aceitarem sob essa ótica! Entretanto, o que aprendem na igreja é forte demais para ser desconstruído de um momento para o outro. A maioria dos pais, infelizmente, age com intolerância e desamor, tornando ainda mais pesado o fardo que o filho carrega por ser diferente da maioria: alguns os expulsam de casa – último refúgio para tantos... Outros passam a tratá-los como seres estranhos, ovelhas negras ou a vergonha da família.
Sem respostas a oferecer – e, principalmente, sem o interesse em encontrá-las – a igreja escolhe a passividade e a violência simbólica, opta pelas velhas e ultrapassadas teorias da família desestruturada por pais ausentes, mães superprotetoras e abusos na infância, embora não sejam esses os casos da maioria das famílias cristãs que enfrentam problemas ocasionados pela homossexualidade de seus filhos. Na verdade, embora a Santa Inquisição tenha sido extinta, a igreja continua perpetuando uma postura que mata física, espiritual e emocionalmente, pais e seus filhos homossexuais, como se ambos fossem culpados.
Se pais e mães sofrem, não é diferente com seus filhos! Se filhos gays e lésbicas não encontram em casa um ambiente de acolhimento, compreensão e amor, certamente irão buscá-lo em outros lugares, que talvez os levem a um caminho sem volta. Absalão, filho de Davi, não encontrando em seu próprio lar a atenção e o cuidado de seu pai, rebelou-se, causando sua própria destruição.
Não é fácil para nenhum pai – ao menos para a maioria esmagadora – encarar a homossexualidade de um filho. Isso é fato. Mas é exatamente para isso que existe o amor! A resposta é e será sempre a mesma: o amor! O amor incondicional é capaz de passar por cima das diferenças tornando-as apenas um detalhe da diversidade humana, do homem e da mulher, criações divinas.
Mães e pais, acolham seus filhos, abracem-nos, amem-nos incondicionalmente! Essa é a vontade de Deus para todos quantos desejam cumprir seus mandamentos.
Sobre os sexualmente excluídos de sua época, leiam o que a Bíblia profetiza:
Porque assim diz o SENHOR a respeito dos eunucos, que guardam os meus sábados, e escolhem aquilo em que eu me agrado, e abraçam a minha aliança: Também lhes darei na minha casa e dentro dos meus muros um lugar e um nome, melhor do que o de filhos e filhas; um nome eterno darei a cada um deles, que nunca se apagará. Assim diz o Senhor DEUS, que congrega os dispersos de Israel: Ainda ajuntarei outros aos que já se lhe ajuntaram. Também os levarei ao meu santo monte, e os alegrarei na minha casa de oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no meu altar; porque a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos. Isaías 56:4-5, 7 e 8
Porque assim diz o SENHOR a respeito dos eunucos, que guardam os meus sábados, e escolhem aquilo em que eu me agrado, e abraçam a minha aliança: Também lhes darei na minha casa e dentro dos meus muros um lugar e um nome, melhor do que o de filhos e filhas; um nome eterno darei a cada um deles, que nunca se apagará. Assim diz o Senhor DEUS, que congrega os dispersos de Israel: Ainda ajuntarei outros aos que já se lhe ajuntaram. Também os levarei ao meu santo monte, e os alegrarei na minha casa de oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no meu altar; porque a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos. Isaías 56:4-5, 7 e 8
A Bíblia ensina os pais a amarem seus filhos, e não impõe nenhuma condição para isso! Nada há nas Escrituras que condicione o amor! Elas chamam os filhos de herança do Senhor (Salmo 127.3), quer sejam homens, mulheres, brancos, negros, deficientes, homossexuais ou heterossexuais.
Não permitam que o mundo leve seus filhos! Não permitam que outros ofereçam-lhes o amor que primeiro deve ser ofertado dentro do lar! E, principalmente, não permitam que seus filhos, herança do Senhor, se percam por sua incapacidade de amar como Cristo ensinou! Se não possui tal capacidade, ore! Peça ao Pai em nome de Jesus, e Ele mudará seu coração!
Aos filhos excluídos por seus pais em virtude de sua sexualidade, deixo Isaías 49.16 e 16, para meditação, que diz:
















