terça-feira, 9 de maio de 2017

Bíblia de Estudo Teologia Inclusiva

Tradução em domínio público comentada pelo pastor Alexandre Feitosa
Confira a INTRODUÇÃO da Bíblia de Estudo!

Muitas vezes, as bíblias de estudo são produzidas para públicos específicos, buscando atender as especificidades e as necessidades de cada um deles. Dessa forma, há bíblias específicas para mulheres, homens, líderes, etc. Com o nascimento e expansão das Igrejas Inclusivas, surgiu, também, a necessidade de uma tradução acompanhada dos princípios defendidos pela Teologia Inclusiva.
A Bíblia de Estudo Teologia Inclusiva surge a partir dessa necessidade, como uma ferramenta específica para cristãos LGBT. A tradução utilizada, de domínio público[1], sofreu revisão gramatical conforme o novo acordo ortográfico bem como atualizações de termos e palavras em desuso com vistas a tornar o texto mais claro e preciso. Além disso, os capítulos foram organizados por títulos e os versículos, em parágrafos. Este trabalho não se configura como uma tradução pró-LGBT, visto que não houve alteração nos versículos, salvo em 1 Coríntios 6.9, 1 Timóteo 1.10 e Judas 7 em que parte do texto foi atualizada conforme traduções contemporâneas consagradas. A diferença em relação às demais edições de estudo consiste na inserção de notas, artigos e estudos com vistas a esclarecer o que, de fato, as Escrituras afirmam sobre as minorias sexuais e a homoafetividade.  A tradução desta edição é universal, os estudos é que são específicos. Embora seja uma Bíblia de Estudo, não nos detivemos em analisar as Escrituras em aspectos teológicos gerais, pois cremos que outras edições de estudo já cumprem esse papel. O foco é analisar especialmente textos que apresentem relação direta com a Teologia Inclusiva.
A comunidade LGBT (Lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) constitui um grupo marginalizado e vitimado historicamente pela homofobia religiosa e teológica. Muitos acreditam firmemente que a Bíblia é um livro homofóbico. Consequentemente, sua visão sobre Deus segue caminho semelhante. É preciso atrair esse grupo a Cristo, Aquele que conduz irremediavelmente o ser humano ao Pai. O papel da Teologia Inclusiva é construir pontes em vez de muros. É facilitar o acesso ao Pai por meio de Jesus, a Palavra encarnada. Incluir minorias sexuais à Igreja implica em desconstruir conceitos teologicamente equivocados e reconstruí-los sobre as bases do Evangelho, que nos revela um Deus que não faz acepção de pessoas (Atos 10.34).
Bíblia de Estudo - Capa vinho
Há muitas bíblias de estudo disponíveis no mercado. As notas explicativas têm por objetivo situar o
leitor em relação ao texto lido, já que a Bíblia está permeada por aspectos históricos, culturais, sociais e religiosos que estão ausentes da compreensão moderna. As Escrituras não foram concebidas para as pessoas do século XXI. Muito de seu conteúdo só pode ser plenamente compreendido mediante pesquisas específicas. A Teologia Inclusiva fornece as ferramentas necessárias que facilitam o estudo, a compreensão e a aplicação das Escrituras pela comunidade LGBT cristã. O poder da Palavra só pode ser experimentado pela sua correta compreensão (Atos 8. 26-40). Este é o objetivo deste trabalho: promover reflexões que possibilitem as pessoas LGBT apropriar-se das Escrituras e das boas-novas do Evangelho:
Diante de uma realidade tão paradoxal – a Bíblia como instrumento de repressão em vez de instrumento de libertação – irrompeu a necessidade de uma reinterpretação bíblica, em consonância com os princípios do Evangelho, que desconstruísse leituras opressivas e construísse uma abordagem verdadeiramente hermenêutica e exegética de resgate, afirmação e inclusão das minorias sexuais, excluídas e marginalizadas, visíveis apenas pelo viés da condenação e invisíveis quanto à abrangência da graça divina. A Bíblia já foi usada como autoridade para justificar outras formas de opressão como a escravidão e a segregação racial. Infelizmente, a mesma Bíblia ainda é usada como instrumento de poder para justificar a discriminação contra as minorias sexuais. O pior de tudo isso é que os cristãos convencionais acreditam que seu discurso está em consonância com a vontade divina, assim como criam os escravocratas e os segregacionistas. A importância deste trabalho está em seu papel esclarecedor, afinal, todo preconceito é gerado pela falta de informações. Como o preconceito precede atos e discursos discriminatórios, é necessário quebrar esse ciclo.[2]
A estrutura da obra é muito simples: todos os versículos que julgamos dignos de estudo (ao todo, 65 textos bíblicos) receberam estudos com títulos específicos, segundo o seguinte esquema:
1) Contextualizando: Muitos versículos não são autônomos e por isso não podem autointerpretar-se. Nesta seção, apresentamos comentários que situam o texto em seus aspectos histórico, cultural, social e religioso. Esse procedimento é necessário a fim de compreendermos o texto em suas diversas instâncias e adjacências, evitando assim, interpretações isoladas, literalistas ou tendenciosas.
2) Ampliando os horizontes do texto: Essa seção apresenta análises pertinentes que amplificam a compreensão dos textos bíblicos analisados.
3) Entre aspas: É uma seção particularmente importante pois apresenta citações de autores renomados (teólogos, pastores, especialistas) inclusive heterossexuais. Trata-se de uma seção essencial nesta Bíblia porque prova que os pontos aqui defendidos não constituem argumentos de homossexuais interessados em justificar sua sexualidade com base em manipulações tendenciosas. 
4) Quem está manipulando a Bíblia? Nesta seção, apresentamos como foram escritos em outras traduções e versões os versículos analisados em língua portuguesa. Trata-se de uma seção reveladora pois apresenta textos que foram intencionalmente alterados para dar base à suposta condenação bíblica da homossexuali-dade.

Além dessas seções, outros textos (com títulos específicos) foram inseridos com vistas a expandir o tema tratado.
Todos os textos analisados foram divididos por três eixos temáticos, a saber: apologética, afirmação e inclusão:

1) Apologética: este ramo da Teologia tem como ponto de partida as verdades bíblicas. Um dos pilares do Evangelho, responsável pela inclusão, é a graça, segundo a qual, todo ser humano, por meio da fé, pode ser filho de Deus (Efésios 28-9). Entretanto, um equívoco teológico tem sido apregoado como verdade bíblica há séculos: a graça divina alcança todos, exceto aqueles que não vivem conforme a heteronormatividade! Nesse caso, a graça é condicionada. Na verdade, não pode ser graça se exclui ao invés de incluir.

Alguns textos bíblicos são utilizados como prova para a exclusão de pessoas LGBT. Cabe à Apologética convencer o ser humano do Evangelho da graça (Atos 20.24), respondendo adequadamente a argumentos que buscam privá-los do reino de Deus em virtude de suas singularidades. A raiz grega da palavra Apologética tem o sentido de dar resposta, defender-se legalmente.

Para a Teologia Inclusiva, a Apologética possui dois alvos específicos:

a) cristãos LGBT que, por sua condição e histórico – normalmente cristão, NÃO creem em sua própria inclusão ao Corpo de Cristo. William Lane Craig escreveu:

"A tarefa mais ampla da apologética cristã é ajudar a criar um ambiente cultural em que o evangelho possa ser ouvido como uma opção intelectualmente viável para homens e mulheres pensantes. [...] Na maioria dos casos, não serão argumentos ou evidências que levarão as pessoas à fé em Cristo - essa é a meia-verdade vista pelos detratores da apologética -, não obstante, será a apologética que, ao tornar o evangelho uma opção crível para as pessoas, lhes dará, por assim dizer, o aval intelectual para crer. Por isso é, vitalmente importante que preservemos um ambiente cultural em que o evangelho é ouvido como uma opção viva para pessoas pensantes, e a apologética é essencial para ajudar a produzir esse resultado[3]."
A maioria dos cristãos LGBT só conseguiu assimilar plenamente a mensagem da graça após compreender que não há condenação bíblica à sua orientação sexual, à sua expressão afetiva e à sua identidade de gênero. Tal fato demonstra que os estudos teológicos com foco na homossexualidade e identidade de gênero não devem ser ignorados, mas são imprescindíveis às igrejas que abraçaram a inclusão [...] Desmitificar teologicamente a condenação à homossexualidade e às identidades trans não tira o mérito do Evangelho, antes, abre caminho para a plena manifestação da graça sobre as minorias sexuais que anseiam compor a Igreja".[4]
b) cristãos convencionais que se utilizam das Escrituras para promover a exclusão da comunidade LGBT. É imprescindível que os cristãos LGBT, não somente possam exercer sua fé, mas sejam capacitados a responder adequadamente e com mansidão a todos quanto questionarem a razão de sua esperança [de salvação] (1ª Pedro 3.15).

2) Afirmação. Diz respeito:
a) à convicção da paternidade divina exatamente como somos e ao direito, como herdeiros de Deus, a todas as bênçãos destinadas aos filhos, dentre elas, o direito à realização afetiva e conjugal (Romanos 8.15-17, 32);
b) ao sentimento de dignidade enquanto seres humanos criados à imagem e semelhança de Deus e por Ele amados, ao sentimento de autovaloração, e à certeza de pertencimento à família de Deus, ao seu povo e ao seu Reino (Isaías 56.1-8; 1ª Pedro 2.9).

3) Inclusão refere-se ao caráter imprescindível e intransferível da graça divina, dom divino suficiente para incluir o ser humano à família de Deus, concedendo-lhe salvação por meio da fé, a despeito de seus pecados e deméritos (Efésios 2.8-9). Nenhum aspecto da diversidade humana é capaz de anular a graça ou torná-la ineficaz em seu alcance e poder. Infelizmente, a igreja institucional, ao logo dos séculos, deformou o Evangelho da graça, transformando-o numa espécie de cativeiro religioso. Tornou-se novamente legalista, farisaica e segregacionista. Nesse contexto irrompeu a necessidade de voltarmos aos fundamentos do Evangelho, cuja base é o amor gracioso de Deus, inclusivo em sua essência.     

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[1] Tradução disponibilizada no portal www.dominiopublico.gov.br – consulta realizada em 16 de agosto de 2015.
[2] Teologia Inclusiva. Oásis Editora. Brasília, 2016.
[3] Apologética Contemporânea: A Veracidade da Fé Cristã. Página 15. 2a. Edição. São Paulo: Vida Nova, 2012.
[4] FEITOSA, Alexandre. A Igreja Trans. Oásis Editora, Brasília, 2012, p. 69.

Um comentário:

  1. Jurandi goulart do nascimento4 de outubro de 2017 16:34

    Muito bom excelente trabalho Deus abençoe à todos sempre

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