segunda-feira, 13 de julho de 2015

Você Conhece os 10 Mitos Sobre a Ideologia de Gênero?


Pr. Alexandre Feitosa

Você já ouviu falar em "ideologia de gênero"? Não? Antes de discorrer sobre o tema, conheça pelo menos 10 afirmações sobre a ideologia de gênero que recolhemos na Internet:

1 - A ideologia de gênero quer transformar meninos em meninas e vice e versa;
2 - A ideologia de gênero quer interferir na orientação sexual das crianças;
3 - A ideologia de gênero quer desconstruir a família;
4 - A ideologia de gênero quer ensinar o homossexualismo (sic) nas escolas;
5 - A Ideologia de gênero quer abolir as leis biológicas;
6 - A Ideologia de gênero diz que as crianças não nascem meninos ou meninas;
7 - A Ideologia de gênero possibilitará a naturalização e aceitação da pedofilia;
8 - A ideologia de gênero fabricará desequilibrados mentais;
9 - A Ideologia de gênero invalida a criação do homem e da mulher;
10 - A Ideologia de gênero ameaça a dignidade humana.

Uma ideologia com tantas ameaças deve ser combatida, não acha? Com certeza, caso as afirmações acima fossem verdadeiras. E não são? Felizmente nenhuma delas é verdadeira! Ufa! São apenas mitos, mas que estão sendo repassados como verdade por muitos formadores de opinião: políticos, religiosos, pastores, padres, etc... Mas como tudo isso surgiu? Tudo por causa de algumas diretrizes presentes na proposta do Plano Nacional de Educação (PNE), que preconiza:

"Em consonância com estes princípios, o PNE, o planejamento e as políticas no Brasil, devem orientar-se pelas seguintes diretrizes: [...] III - superação das desigualdades educacionais, com ênfase na igualdade racial, regional, de gênero e orientação sexual, e na garantia de acessibilidade".

Pois é, bastou a presença das expressões "de gênero e orientação sexual" para que os religiosos políticos surtassem se organizassem para modificar o texto. 

Ontem, em minha congregação, apresentamos um panorama do momento político que estamos vivendo e a discussão foi motivada pela “ideologia de gênero”. Ao pesquisar sobre o assunto, deparei-me com textos e afirmações tão absurdas que julguei necessário apresentar neste post os mitos que têm sido propagados como verdade. É preciso esclarecimento, conhecimento e discernimento, se quisermos combater adequadamente não somente os preconceitos, mas as falácias discursivas que exercem um grande poder de persuasão e formação de opinião sobre aqueles que acreditam em tudo que os religiosos pregam e disseminam.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que, embora todo discurso seja ideológico (no sentido de apresentar um posicionamento sobre determinada questão), a expressão “ideologia de gênero” não consta do texto do PNE, mas está sendo utilizada por religiosos a fim de facilitar a propagação de seu pernicioso discurso. 

Algo deve ficar claro: gênero e orientação sexual não são ideologias, são fatos, são verdades inerentes à constituição sexual humana. Por exemplo: não foi a biologia quem disse que a cor rosa é para mulheres e a cor azul é para homens, que cabelo curto é masculino e comprido é feminino. Tudo isso são construções sociais e culturais que devem ser desconstruídas pois causam o preconceito de gênero. Tais preconceitos inibem a liberdade humana, encarcerando as singularidades que tão belamente caracterizam a diversidade. 

O texto do PNE é bastante claro ao defender que as políticas públicas devem trabalhar para pôr fim às desigualdades educacionais que provocam a evasão escolar e a continuidade de preconceitos motivados por questões raciais, regionais, de gênero e de orientação sexual. Vale ressaltar que a proposta não é interferir nas marcas de gênero ou na orientação sexual dos alunos, mas educar para que tais questões – presentes no âmbito escolar – sejam respeitadas. Quando uma escola trabalha para a igualdade, está cumprindo dois princípios: 1) Constitucional – Todos são iguais; 2) Bíblico – Deus não faz acepção de pessoas. Entretanto, não é assim que pensam os religiosos, que deturpam tudo a favor de uma fé cega, sem discernimento, que em nada reflete os princípios de amor ao próximo e o respeito à diversidade criada por Deus. 

Educação não modifica as singularidades das pessoas. Educação transforma para o respeito e a dignidade humana. 

3 comentários:

  1. Eu sou homossexual e me aceito como sou mas eu não deixo de reconhecer que identidade de gênero é uma coisa muito complexa. Os meninos e meninas aprendem os padrões sociais e culturais de cada gênero como foi dito acima (construído). E por causa disso é polêmico defender a ideologia de gênero.

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  2. amei!!! e me ajudou muito no meu trabalho da faculdade sobre Ideologia de Gênero, onde iriei defende-la em uma tribuna.

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  3. Eu vejo muita gritaria nas redes sociais acerca disso e muita pouca lucidez e pesquisa. Como estudante de Letras, li as diretrizes da BNCC, PNE e várias outras publicações do MEC e se cita alguma coisa sobre diversidade e orientação sexual é muito pouco (existem 4 parágrafos sobre o assunto em 400 páginas de BNCC e tudo previsto para o Ensino Fundamental II), então a escola não é o lugar em que a criança vai "aprender a deixar de ser" menino ou menina. Agora, a mídia e as propagandas ajudam a criar a polêmica e o diálogo sobre a diversidade sexual e de gênero é muito pertinente, sim. Isso é uma opinião minha.

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