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| Tradução em domínio público comentada pelo pastor Alexandre Feitosa |
Confira a INTRODUÇÃO da Bíblia de Estudo!
Muitas vezes, as bíblias de estudo são produzidas
para públicos específicos, buscando atender às especificidades e às necessidades
de cada um deles. Dessa forma, há bíblias específicas para mulheres, homens,
líderes, etc. Com o nascimento e expansão das Igrejas Inclusivas, surgiu,
também, a necessidade de uma tradução acompanhada dos princípios defendidos
pela Teologia Inclusiva.
A Bíblia de
Estudo Teologia Inclusiva surge a partir dessa necessidade, como uma
ferramenta específica para cristãos LGBT. A tradução utilizada, de domínio
público[1],
sofreu revisão gramatical conforme o novo acordo ortográfico bem como
atualizações de termos e palavras em desuso com vistas a tornar o texto mais
claro e preciso. Além disso, os capítulos foram organizados por títulos e os
versículos, em parágrafos. Este trabalho não se configura como uma tradução
pró-LGBT, visto que não houve supressão ou alteração de versículos. A diferença em relação às demais edições de estudo
consiste na inserção de notas, artigos e estudos com vistas a esclarecer o que,
de fato, as Escrituras afirmam sobre as minorias sexuais e a
homoafetividade. A tradução desta edição
é universal, os estudos é que são específicos. Embora seja uma Bíblia de Estudo, não nos
detivemos em analisar as Escrituras em aspectos teológicos gerais, pois cremos
que outras edições de estudo já cumprem esse papel. O foco é analisar especialmente
textos que apresentem relação direta com a Teologia Inclusiva.
A comunidade LGBT (Lésbicas, gays, bissexuais e
transgêneros) constitui um grupo marginalizado e vitimado historicamente pela
homofobia religiosa e teológica. Muitos acreditam firmemente que a Bíblia é um
livro homofóbico. Consequentemente, sua visão sobre Deus segue caminho
semelhante. É preciso atrair esse grupo a Cristo, Aquele que conduz
irremediavelmente o ser humano ao Pai. O papel da Teologia Inclusiva é
construir pontes em vez de muros. É facilitar o acesso ao Pai por meio de
Jesus, a Palavra encarnada. Incluir minorias sexuais à Igreja implica em
desconstruir conceitos teologicamente equivocados e reconstruí-los sobre as
bases do Evangelho, que nos revela um Deus que não faz acepção de pessoas (Atos
10.34).
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| Bíblia de Estudo - Capa vinho |
Diante de uma
realidade tão paradoxal – a Bíblia como instrumento de repressão em vez de
instrumento de libertação – irrompeu a necessidade de uma reinterpretação
bíblica, em consonância com os princípios do Evangelho, que desconstruísse
leituras opressivas e construísse uma abordagem verdadeiramente hermenêutica e
exegética de resgate, afirmação e inclusão das minorias sexuais, excluídas e
marginalizadas, visíveis apenas pelo viés da condenação e invisíveis quanto à
abrangência da graça divina. A Bíblia já foi usada como autoridade para
justificar outras formas de opressão como a escravidão e a segregação racial.
Infelizmente, a mesma Bíblia ainda é usada como instrumento de poder para
justificar a discriminação contra as minorias sexuais. O pior de tudo isso é
que os cristãos convencionais acreditam que seu discurso está em consonância
com a vontade divina, assim como criam os escravocratas e os segregacionistas.
A importância deste trabalho está em seu papel esclarecedor, afinal, todo
preconceito é gerado pela falta de informações. Como o preconceito precede atos
e discursos discriminatórios, é necessário quebrar esse ciclo.[2]
A estrutura da obra é muito simples: todos os
versículos que julgamos dignos de estudo (ao todo, 65 textos bíblicos) receberam estudos com títulos
específicos, segundo o seguinte esquema:
1) Contextualizando: Muitos versículos não são autônomos e por isso não
podem autointerpretar-se. Nesta seção, apresentamos comentários que situam o
texto em seus aspectos histórico, cultural, social e religioso. Esse
procedimento é necessário a fim de compreendermos o texto em suas diversas
instâncias e adjacências, evitando assim, interpretações isoladas, literalistas
ou tendenciosas.
2) Ampliando os horizontes do texto: Essa seção apresenta análises pertinentes que
amplificam a compreensão dos textos bíblicos analisados.
3) Entre aspas: É uma seção particularmente importante pois
apresenta citações de autores renomados (teólogos, pastores, especialistas)
inclusive heterossexuais. Trata-se de uma seção essencial nesta Bíblia porque
prova que os pontos aqui defendidos não constituem argumentos de homossexuais
interessados em justificar sua sexualidade com base em manipulações
tendenciosas.
4) Quem está manipulando a Bíblia? Nesta seção, apresentamos como foram escritos em
outras traduções e versões os versículos analisados em língua portuguesa.
Trata-se de uma seção reveladora pois apresenta textos que foram
intencionalmente alterados para dar base à suposta condenação bíblica da
homossexuali-dade.
Além
dessas seções, outros textos (com títulos específicos) foram inseridos com
vistas a expandir o tema tratado.
Todos
os textos analisados foram divididos por três eixos temáticos, a saber: apologética, afirmação e inclusão:
1) Apologética: este ramo da Teologia tem como ponto de partida as
verdades bíblicas. Um dos pilares do Evangelho, responsável pela inclusão, é a
graça, segundo a qual, todo ser humano, por meio da fé, pode ser filho de Deus
(Efésios 28-9). Entretanto, um equívoco teológico tem sido apregoado como
verdade bíblica há séculos: a graça
divina alcança todos, exceto aqueles que não vivem conforme a
heteronormatividade! Nesse caso, a graça é condicionada. Na verdade, não
pode ser graça se exclui ao invés de incluir.
Alguns
textos bíblicos são utilizados como prova para a exclusão de pessoas LGBT. Cabe
à Apologética convencer o ser humano do Evangelho da graça (Atos 20.24),
respondendo adequadamente a argumentos que buscam privá-los do reino de Deus em
virtude de suas singularidades. A raiz grega da palavra Apologética tem o
sentido de dar resposta, defender-se legalmente.
Para
a Teologia Inclusiva, a Apologética possui dois alvos específicos:
a)
cristãos LGBT que, por sua condição e histórico – normalmente cristão, NÃO
creem em sua própria inclusão ao Corpo de Cristo. William Lane Craig escreveu:
"A tarefa mais ampla da
apologética cristã é ajudar a criar um ambiente cultural em que o evangelho
possa ser ouvido como uma opção intelectualmente viável para homens e mulheres
pensantes. [...] Na maioria dos casos, não serão argumentos ou evidências que
levarão as pessoas à fé em Cristo - essa é a meia-verdade vista pelos
detratores da apologética -, não obstante, será a apologética que, ao tornar o
evangelho uma opção crível para as pessoas, lhes dará, por assim dizer, o aval
intelectual para crer. Por isso é, vitalmente importante que preservemos um
ambiente cultural em que o evangelho é ouvido como uma opção viva para
pessoas pensantes, e a apologética é essencial para ajudar a produzir esse resultado[3]."
A maioria dos cristãos LGBT só
conseguiu assimilar plenamente a mensagem da graça após compreender que não há
condenação bíblica à sua orientação sexual, à sua expressão afetiva e à sua
identidade de gênero. Tal fato demonstra que os estudos teológicos com foco na
homossexualidade e identidade de gênero não devem ser ignorados, mas são
imprescindíveis às igrejas que abraçaram a inclusão [...] Desmitificar
teologicamente a condenação à homossexualidade e às identidades trans não tira
o mérito do Evangelho, antes, abre caminho para a plena manifestação da graça
sobre as minorias sexuais que anseiam compor a Igreja".[4]
b)
cristãos convencionais que se utilizam das Escrituras para promover a exclusão
da comunidade LGBT. É imprescindível que os cristãos LGBT, não somente possam
exercer sua fé, mas sejam capacitados a responder adequadamente e com mansidão
a todos quanto questionarem a razão de sua esperança [de salvação] (1ª Pedro
3.15).
2) Afirmação. Diz
respeito:
a)
à convicção da paternidade divina exatamente como somos e ao direito, como
herdeiros de Deus, a todas as bênçãos destinadas aos filhos, dentre elas, o
direito à realização afetiva e conjugal (Romanos 8.15-17, 32);
b)
ao sentimento de dignidade enquanto seres humanos
criados à imagem e semelhança de Deus e por Ele amados, ao sentimento de
autovaloração, e à certeza de pertencimento à família de Deus, ao seu povo e ao
seu Reino (Isaías 56.1-8; 1ª Pedro 2.9).
3) Inclusão
refere-se ao caráter imprescindível e intransferível da graça divina, dom
divino suficiente para incluir o ser humano à família de Deus, concedendo-lhe
salvação por meio da fé, a despeito de seus pecados e deméritos (Efésios
2.8-9). Nenhum aspecto da diversidade humana é capaz de anular a graça ou
torná-la ineficaz em seu alcance e poder. Infelizmente, a igreja institucional,
ao logo dos séculos, deformou o Evangelho da graça, transformando-o numa
espécie de cativeiro religioso. Tornou-se novamente legalista, farisaica e
segregacionista. Nesse contexto irrompeu a necessidade de voltarmos aos
fundamentos do Evangelho, cuja base é o amor gracioso de Deus, inclusivo em sua
essência.
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[1] Tradução disponibilizada no
portal www.dominiopublico.gov.br – consulta realizada em 16 de
agosto de 2015.
[2] Teologia Inclusiva. Oásis Editora. Brasília, 2016.
[3] Apologética Contemporânea: A Veracidade
da Fé Cristã. Página 15. 2a. Edição. São Paulo: Vida Nova, 2012.
[4] FEITOSA, Alexandre. A Igreja Trans. Oásis Editora,
Brasília, 2012, p. 69.

