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sábado, 18 de junho de 2016

Pastor Lança Livro Contra a Homofobia Religiosa

A campanha Jesus cura a homofobia foi idealizada pelo pastor batista José Barbosa Júnior

Autor desafia leituras conservadoras da Bíblia, lançando um novo olhar sobre o que ela, de fato, diz sobre as minorias sexuais.



O pastor Alexandre Feitosa acaba de concluir mais uma obra literária: Teologia Inclusiva: fundamentos, métodos, história e conquistas. A obra é mais um lançamento da Oásis Editora, especializada em publicações teológicas voltadas para o público LGBT. O livro é o sexto trabalho do Pastor, que estreou em 2010 com a bem sucedida obra Bíblia e Homossexualidade: verdade e mitos, que está a caminho da terceira edição. Sua obra é marcada pela leitura histórico-crítica das Escrituras, método que contextualiza os versículos, interpretando a mensagem sob a luz dos aspectos culturais, históricos, religiosos e sociais da época bíblica. A leitura histórico-crítica da Bíblia lança luz sobre os textos que supostamente condenam as minorias sexuais. Essa abordagem permite concluir que os conceitos de orientação sexual, homoafetividade e identidade de gênero estão ausentes dos textos bíblicos. O lançamento nacional do livro ocorrerá neste sábado, 18/06, na Comunidade Athos Brasília.


Kibook - Qual o tema desse novo trabalho?
AF - Seguindo uma linha semelhante à das obras anteriores, este novo trabalho propõe reflexões bíblicas sobre as minorias excluídas e segregadas por conceitos religiosos. A partir das Escrituras e, especialmente a partir de Cristo e da Igreja Primitiva, somos levados a compreender que a Bíblia está longe de ser um livro homofóbico, como muitos acreditam. O tema deste trabalho é a inclusão das minorias sexuais sob a perspectiva de Cristo e das primeiras comunidades cristãs. Uma análise minuciosa e livre de ideologias conduzirá o leitor da Bíblia, inevitavelmente, a um novo olhar, livre de preconceitos sobre aqueles que, tradicionalmente, fomos levados a discriminar. Nunca, no Brasil e no mundo, os direitos da comunidade LGBT se expandiram tanto, por outro lado, em proporção semelhante, em nenhum outro momento o preconceito e a discriminação contra essa comunidade vieram à tona com tanta intensidade.


Kibook - Qual a relevância desse livro para o cenário atual?
AF – A importância desse trabalho está em seu papel esclarecedor. Todo preconceito é gerado pela falta de informações. É necessário quebrar o ciclo do preconceito. O preconceito precede a discriminação. Os crimes de ódio, como o praticado no último domingo em Orlando, são motivados pelo preconceito. No Brasil, a realidade é ainda mais triste. Pesquisas do Grupo Gay da Bahia (GGB) indicam que um LGBT é morto a cada 26 horas. As estatísticas são alarmantes. Em 2015, 318 LGBTs foram assassinados. Esses dados colocam o Brasil no topo dos crimes de ódio quando o assunto é violência contra lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros. Ao quebrar o ciclo do preconceito, a violência deixa de existir. O livro tem um caráter informativo, formativo e reflexivo. Aliamos informação e reflexão nessa obra, tendo como ponto de partida o ministério de Jesus Cristo e os princípios do Evangelho propagados por Ele e pela Igreja Primitiva. As reflexões propostas nessa obra envolvem basicamente a inclusão de excluídos e marginalizados por questões religiosas. Abordamos desde a inclusão da mulher à inclusão das minorias sexuais, representadas pela figura dos eunucos. Se a exclusão das minorias sexuais nasce de uma interpretação equivocada da Bíblia, deve ser a partir da mesma Bíblia que a inclusão deve nascer. 


Kibook - O livro já está à venda há mais de um mês. Como tem sido a receptividade da obra?
AF – Graças a Deus nossas expectativas quanto à recepção da obra têm sido superadas. Já vendemos metade da primeira tiragem e estamos providenciando uma segunda tiragem, maior que a primeira, pois já temos lançamentos marcados em outras capitais. Tenho recebido umfeedback bastante positivo das pessoas que já adquiriram o livro, o que nos motiva a continuar escrevendo novos trabalhos que contribuam para a inclusão das minorias sexuais à Igreja, bem como para o combate do preconceito a essas minorias.


Kibook - Para concluir, uma frase que resuma o livro:
AF – A frase que resume o livro está na Bíblia, no livro de Atos, capítulo 10, versículo 34:Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas. Esse princípio bíblico confirma todas as reflexões que construímos com base nos relatos dos Evangelhos e nos demais livros do Novo Testamento. Em cada relato analisado, essa verdade fica evidente. Pessoas antes excluídas pela religião passam a caminhar lado a lado com Cristo. De posse dessa verdade valiosa levamos a própria comunidade LGBT a compreender que Deus não exige mudança de sua constituição sexual. As minorias sexuais são aceitas por Deus, pois a diversidade é parte de Seu trabalho criativo. O livro nos leva a encarar a comunidade LGBT sob a perspectiva de Cristo, quebrando o ciclo do preconceito e da violência, promovendo um entendimento gracioso das Escrituras e uma cultura de paz.



Um pouco mais sobre o autor: Alexandre Feitosa é brasiliense, graduado em língua portuguesa, pastor e professor. Desde 2006, dedica-se ao estudo da Teologia Inclusiva e a palestras sobre o assunto. É autor das seguintes obras: Bíblia e Homossexualidade: verdade e mitos (2010), O Prêmio do amor (2011), A Igreja Trans(2012), Quem está manipulando a Bíblia? (2013), Lições Bíblicas Conhecimento & Graça (2014). É membro da Comunidade Athos de Brasília, uma igreja protestante inclusiva. 





Lançamento do livro: 18 de junho de 2016 a partir das 19h30 na Comunidade Athos Brasília – SDS – Conic – Edifício Eldorado, Entrada B, Subsolo, Sala 17.

EspecificaçõesTeologia Inclusiva: Fundamentos, Métodos, História, Conquistas – Oásis Editora, Brasília, 2016, 102 páginas. 




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segunda-feira, 6 de junho de 2016

Por que uma Teologia Inclusiva?*


Por Alexandre Feitosa

Simplesmente porque a graça divina inclui a TODOS e nenhuma interpretação bíblica pode suplantar ou limitar essa verdade. A graça está acima de qualquer interpretação teológica. Ela é um dom de Deus ofertado gratuitamente à humanidade sem qualquer tipo de distinção. Não há limites ou condições para a graça (Efésios 1.4-7, 2.8). Os bens resultantes do sacrifício de Cristo são irrevogáveis e ilimitados em seu alcance (Tito 2.11). Isso implica dizer que toda interpretação bíblica proposta pela Teologia Inclusiva deve passar por Jesus, por sua obra redentora, convergindo sempre em direção à graça.

          A TI propõe uma reconciliação entre as denominações cristãs majoritárias e a comunidade LGBT, que permanece à margem da Igreja. A TI enfatiza que a graça independe da constituição sexual imposta pela heteronormatividade. Objetivando o resgate e a salvação de vidas, essa reconciliação é necessária e urgente a fim de que os excluídos da nossa geração possam integrar a Nova Aliança. Na Nova Aliança, a fé em Jesus nos garante o status de filhos de Deus. A graça simplesmente ignora todas as diferenças que singularizam ou categorizam os seres humanos. Segundo os olhos da graça, todos são iguais: 

   28 Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus. Gálatas 3. 28
 11 Nessa nova vida já não há diferença entre grego e judeu, circunciso e incircunciso, bárbaro e cita, escravo e livre, mas Cristo é tudo e está em todos. Colossenses 3.11

A TI, em sua abordagem sobre a diversidade sexual, constitui um suporte, uma ferramenta para facilitar o anúncio do Evangelho à comunidade LGBT. Por séculos, essa comunidade acreditou na condenação bíblica à sua constituição sexual. Sendo assim, a TI procura desmitificar os textos do terror, derrubar a muralha da culpa e abrir caminho para que os sexualmente excluídos possam ser alcançados pelo plano de salvação: crer e receber Jesus (João 1.12) e experimentar a testificação do Espírito, a qual traz a certeza de que somos filhos de Deus (Romanos 8.16).
Em dez anos trabalhando pela inclusão, constatamos que:

"A maioria dos cristãos LGBT só conseguiu assimilar plenamente a mensagem da graça após compreender que não há condenação bíblica à sua orientação sexual, à sua expressão afetiva e à sua identidade de gênero. Tal fato demonstra que os estudos teológicos com foco na homossexualidade/identidade de gênero não devem ser ignorados, mas são imprescindíveis às igrejas que abraçaram a inclusão [...] Desmitificar teologicamente a condenação à homossexualidade e às identidades transgêneras não tira o mérito do Evangelho, antes, abre caminho para a plena manifestação da graça sobre cada LGBT desejoso por servir a Cristo e por compor a Igreja".[1]

Uma teologia inclusiva é fundamental para corrigir séculos de exclusão a que foram expostas as pessoas LGBT. Nesse sentido, a Teologia Inclusiva surge como uma proposta ousada: uma revisão criteriosa sobre o que diz a Bíblia acerca do assunto. Ela é necessária para promover o encontro entre as minorias sexuais e as Escrituras, construindo um sentimento de afirmação e empoderamento no coração daqueles que se sentem excluídos da Bíblia ou condenados por ela. A TI entende que:

 "Se alguma interpretação bíblica marginaliza, limita ou exclui qualquer categoria da diversidade humana [da abrangência] da graça divina, esta deve ser revista"[2].

A Teologia Inclusiva busca combater leituras que ocorrem sem os critérios hermenêuticos e exegéticos adequados. Seu método interpretativo propõe uma revisão de todo texto bíblico cuja leitura exclua, oprima, adoeça emocionalmente e marginalize seres humanos em razão de suas singularidades sexuais e afetivas. Entretanto, "toda interpretação bíblica proposta pela Teologia Inclusiva deve passar pelas verdades do Evangelho, refletindo-o em suas afirmações.[3]As proposições da TI não interferem nos princípios bíblicos fundamentais (Atos 15.1-21), pelo contrário, tem sido uma abordagem que busca resgatar verdades essenciais esquecidas ou ignoradas.
                     
          Uma de suas principais conquistas consiste em uma rigorosa revisão hermenêutica e exegética dos textos do terror[4], utilizados constantemente para ferir a dignidade das pessoas LGBT, negando-lhes um espaço para o exercício da fé a não ser que renunciem sua sexualidade/afetividade. A liberdade é uma conquista da cruz, incompatível com o cativeiro emocional resultante da pregação religiosa tradicional sobre a homossexualidade (Gálatas 5.1).
           
         A liberdade é a pedra fundamental do Cristianismo, é uma conquista outorgada por Jesus, capaz de remover as velhas culpas, neutralizar palavras de acusação, a ameaça dos fundamentalistas e as pressões sociais e familiares. A liberdade em Cristo destrói o desejo de agradar aos outros e concede-nos a segurança necessária para vivermos confiantes quanto à salvação.
            
*Artigo adaptado do Capítulo 2 do livro Teologia Inclusiva: Fundamentos, Métodos, História,Conquistas. Adquira o seu clicando na foto abaixo:





[1] FEITOSA, Alexandre. A Igreja Trans. Oásis Editora, Brasília, 2012, p. 69.
[2] Alexandre Feitosa. Lições Bíblicas Conhecimento e Graça. Oásis Editora, Brasília, 2014.
[3] Idem.
[4] Referência aos versículos bíblicos comumente utilizados como argumento bíblico contra a homoafetividade, a saber, Gênesis 19.5, Levítico 18.22 e 20.13, Romanos 1.26 e 27, 1ª Coríntios 6.9 e 10, 1ª Timóteo 1.10 e Judas 7.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Hermenêutica e Exegese




Existem critérios para a interpretação bíblica e tais critérios são definidos por duas ciências muito importantes: a hermenêutica e a exegese. Juntas, essas duas ferramentas contribuem de forma consistente para uma interpretação e uma aplicação corretas das Escrituras Sagradas.

Infelizmente, a má interpretação bíblica traz muitos malefícios: preconceito, discriminação e exclusão de pessoas. Foi assim com negros e mulheres no passado e hoje, a comunidade LGBT permanece como alvo de interpretações literais, superficiais e tendenciosas. No quesito igreja, essa comunidade permanece marginalizada e relegada à exclusão.

Esse quadro precisa mudar, pois a Palavra de Deus deve ser um veículo de alcance a todas as pessoas, sem distinção de qualquer espécie. Essa é a essência do Evangelho (João 3.16). 

Que possamos nos apropriar das Escrituras como um presente de Deus em favor da difusão do Evangelho, da graça e do amor divinos, as verdadeiras Boas-novas que não fazem acepção de pessoas (Atos 10.34).

A Segunda Edição de nosso programa, inicialmente baseado nas Lições Bíblicas Conhecimento e Graça, traça um panorama sobre essas duas importantes ferramentas interpretativas bem como o perigo que interpretações seletivas e sem critérios pode oferecer.

"As denominações inclusivas creem na Bíblia como a Palavra de Deus, Sua revelação aos homens e única regra de fé e prática; creem em sua inspiração divina, em sua inerrância e infalibilidade.  O Espírito Santo é a fonte de inspiração das Escrituras, portanto, é quem nos capacita a compreendê-la e, principalmente, nos capacita a vivenciarmos suas verdades. (2ª Pedro 1.21; João 14.6, Romanos 8.4, 1ª Coríntios 2.13 e 14)." Lições Bíblicas Conhecimento e Graça, p. 15

Assista a 2ª Edição abaixo:






segunda-feira, 4 de julho de 2011

Dicas de Leitura: A Homofobia tem Cura?



Esta é uma nova seção do nosso Blog, destinada a fazer indicações de leitura para todos quantos quiserem aprofundar seus conhecimentos teológicos no âmbito da inclusão. As primeiras dicas dessa seção destinam-se a desfazer mais um mito: o de que a Teologia Inclusiva é “invenção” de teólogos homossexuais interessados em justificar sua sexualidade e sua fé, ou, em outras palavras, como dizem os cristãos conservadores, uma teologia para justificar suas práticas pecaminosas.

A Teologia Inclusiva tem recebido cada vez mais fiéis, aumentando, logicamente, seus opositores, os próprios cristãos, claro! Com o dedo em riste, tais pessoas não hesitam em condenar, com “base” na Bíblia, aqueles que, sob sua condição sexual, querem ter o direito de adorar e servir a Deus em uma comunidade cristã inclusiva.

O Brasil, felizmente, tem sido um celeiro de escritores engajados na causa da inclusão, quer por meio de livros ou por meio de sites e blogs. Nos Estados Unidos Enquanto, a igreja inclusiva começou a surgir nos anos 60, no Brasil, entretanto, isso só se estabeleceu agora, nos anos 2000, apesar de alguns relances em décadas anteriores.

Os livros que indicarei nesta nova seção são parte de minha biblioteca particular e foram (e são) ferramentas valiosas na minha contribuição escrita para a Teologia Inclusiva brasileira. Para não parecer tendencioso, não incluirei as obras escritas por mim. Pelo contrário, indicarei livros de líderes cristãos heterossexuais de denominações não-inclusivas (entenda-se não-inclusivas como igrejas tradicionais, históricas). Precisamos acabar com a mentira de que os homossexuais cristãos distorcem ou ignoram a Bíblia a fim de criar uma teologia que justifique sua fé e sua expressão afetiva, afinal, a Teologia Inclusiva não nasceu pelas mãos de cristãos homossexuais.

Nossa primeira dica é a obra “Homofobia tem Cura? O papel da igreja na questão homoerótica”. Esse importante trabalho é pioneiro em muitos sentidos: foi lançado em 1992 pela Ediouro e inaugurou o termo “homofobia” em nosso idioma.

Escrito pelo Reverendo Bruce Hilton, da Igreja Metodista Unida, o livro apresenta perguntas e respostas. As perguntas são bastante pertinentes e muitas delas continuam vivas do discurso daqueles que insistem em condenar a homossexualidade. O autor as responde em uma linguagem simples e acessível, fazendo a leitura fluir rapidamente.

Confira alguns trechos:

Pergunta: E o que diz a Bíblia sobre homossexualidade?
Resposta: Sobre a homossexualidade como a conhecemos, a Bíblia não diz nada. Nem os autores bíblicos nem nenhuma outra pessoa que escrevesse naqueles séculos tinha qualquer ideia do que hoje chamamos orientação homoafetiva – atração para a vida toda, fixada cedo por pessoas do mesmo sexo. Na verdade, não se tinha uma palavra para tal ideia até a segunda metade do século XIX, quando os conceitos psicológicos estavam começando a ser compreendidos.

Mas a Bíblia contém várias referências à atividade sexual entre pessoas do mesmo sexo. É interessante constatar o pressuposto dos autores: segundo eles, tratava-se de homens ou mulheres heterossexuais agindo de maneira contrária à sua natureza. P. 82

Bruce Hilton (1930 - 2008)
Se Paulo soubesse o que sabemos sobre a orientação sexual, será que teria também reprovado os homossexuais que fossem contra a sua natureza praticando atos heterossexuais? P.92


Ainda lamentamos o adultério, ou a falta de respeito aos pais. Mas não aplicamos a punição prescrita pelo Levítico: morte por apedrejamento. 

Se tentarmos aplicar essas normas literalmente, teremos de aplicá-las todas, não algumas escolhidas lá e cá. E se as aplicarmos literalmente, entraremos em conflito com um ensinamento muito mais fundamental para nossa fé, pois, com a vinda de Jesus cristo, a antiga lei foi substituída pela nova graça. P. 89
           
Bruce Hilton também foi músico, compositor, jornalista e ativista incansável pelos direitos humanos das minorias: negros, mulheres e homossexuais. Nasceu em 1930 e morreu em 2008.





sábado, 28 de maio de 2011

Quem são os verdadeiros sodomitas da atualidade?


Por Alexandre Feitosa

         Muitos mitos são construídos sobre pesados escombros, consequentemente, basta removê-los para que o alto edifício dos velhos e falsos conceitos caia por terra. O significado de sodomia que hoje lemos nos melhores dicionários não passa de produto de um equívoco que dura séculos e insiste em permanecer de pé: sodomia como sinônimo de homossexualidade. Como assim? Nossos filólogos estão todos equivocados? De certa forma, sim. Vejamos um exemplo, retirado do Dicionário de sinônimos e antônimos da Editora Melhoramentos, página 567:

         Sodomia sf pederastia, homossexualismo, homossexualidade, inversão.

         O equívoco deve-se a uma construção histórico-doutrinária muito antiga. Tudo começou há mais de 2000 anos, com o filósofo judeu-helenista Filo de Alexandria (25 a.C – 50 d.C). O relato de Filo é solitário em meio a tantos outros documentos. Ele é o único a mencionar atos homogenitais entre homens em Sodoma. Qual a base desse relato? Certamente Filo foi influenciado pela visão, comum na época, de que a única finalidade do sexo era a procriação. Juntando isso a uma leitura equivocada de Gênesis 19 não deu outra! Séculos mais tarde, Tomás de Aquino arrematou o equívoco, popularizando o termo “sodomita” como o praticante da sodomia, ou seja, sexo anal entre homens. Não há registros bíblicos de práticas genitoanais em Sodoma ou nas cidades circunvizinhas. O episódio relatado em Gênesis 19 não passou de uma tentativa frustrada de abuso, o que não reflete a realidade da homossexualidade enquanto orientação sexual.
         Você pode estar dizendo: “mas a própria Bíblia faz essa associação, está lá, em 1ª Coríntios”! Há uma grande diferença entre o que diz o texto original e o que dizem as traduções, muitas delas, repletas de erros. De fato, as traduções modernas utilizam tal termo, entretanto, tal vocábulo não encontra raízes etimológicas no hebraico gentílico, ou seja, sidom, o habitante ou natural de Sodoma. Um dos grandes problemas dos eruditos, pois não há consenso quanto ao significado original, o termo grego utilizado pelo apóstolo Paulo (em 1ª Coríntios 6.9 e 1ª Timóteo 1.10) não apresenta nenhuma relação com o gentílico hebraico, de modo que as traduções modernas baseiam-se em uma visão errônea do relato de Gênesis, reforçada por escassas interpretações antigas dos reais pecados dos sodomitas.
         Menções aos pecados de Sodoma são abundantes, tanto nos livros da Bíblia protestante, quanto nos livros deuterocanônicos – das edições católicas – isso sem mencionar os livros apócrifos e outras fontes históricas, todas elas concordando entre si com o que dizem as Escrituras, ou seja, nenhuma palavra sequer sobre homossexualidade.
         Então, o que, de fato, nos ensina a Bíblia sobre os sodomitas? Encontraríamos, na atualidade, comportamentos capazes de classificar alguém assim? Certamente. Lendo Gênesis 13.13; 19; Ezequiel 16.49; Isaías 1.10-17; Lucas 10.10-12, dentre outras passagens, perceberemos que os verdadeiros sodomitas são aqueles que praticam atos como assassinatos, injustiças, ódio ao estrangeiro, órfãos e viúvas – aqui representação das diferenças e das minorias desvalidas – falta de hospitalidade, soberba, orgulho, desamparo ao pobre e ao necessitado, arrogância, entre tantas outras coisas que Deus abomina. Os verdadeiros sodomitas da atualidade, segundo nos ensina a Bíblia, são todos aqueles que praticam essas e outras atrocidades.
         Se algum homossexual pratica atos de crueldade como os mencionados acima, teremos autoridade bíblica para classificá-lo como sodomita, agora, classificar alguém assim com base em sua orientação sexual é um grave erro, bíblico e semântico.
         Quando Deus exorta Israel em Isaías capítulo 1, traçando um paralelo entre este e Sodoma, está mostrando que os reais sodomitas são aqueles que dizem servi-lo com seus sacrifícios, holocaustos, ofertas e orações. O que isso nos ensina? Que os religiosos e legalistas da modernidade é que são os verdadeiros sodomitas, pois, com suas atitudes excludentes, mascaradas de amor e abnegação, oprimem as minorias, boicotam-lhes os direitos, lutam para perpetuar as injustiças, governam com parcialidade. Qualquer semelhança com nossos líderes religiosos, seus seguidores e representantes políticos, não é mera coincidência! 
 

Um estudo detalhado sobre esse tema pode ser lido em nosso livro


sexta-feira, 13 de maio de 2011

A Bíblia e os Perigos da Interpretação Literal!

Vejamos alguns dos absurdos - que vão desde a discriminação a assassinatos - que a interpretação literalista e fundamentalista das Escrituras pode gerar. Há muitos outros exemplos, listaremos apenas 5 deles. Para ver as imagens em tamanho maior, basta clicar sobre elas.




















Veja os detalhes das afirmações absurdas do 
Pastor Marco Feliciano, clicando AQUI.
Sobre a discriminação racial na Igreja,
leia um excelente artigo AQUI.

Na próxima postagem, veremos por que
nem os cristãos heterossexuais cumprem
os mandamentos do Gênesis sobre a vida conjugal! Não Perca!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Bíblia e Homossexualidade: verdade e mitos




Este livro é fruto de uma análise inovadora de textos bíblicos que, supostamente, condenam a homossexualidade, proporcionando uma visão pouco explorada no meio teológico, com o intuíto de abrir as portas da inclusão para milhares de cristãos homoafetivos antes excluídos em virtude de uma interpretação equivocada das Escrituras.
O que se espera agora não é um debate entre os favoráveis e aqueles contrários à homoafetividade, mas a libertação de muitos que vivem sob um jugo não imposto por Cristo, mas construído ao longo dos séculos por uma interpretação literalista da Bíblia Sagrada.
Confira o índice:

Introdução.......08

1 – Gênesis: a criação e a importância da contextualização
1.1  - A Hermenêutica e a Exegese aplicadas ao Gênesis
2 – Sodoma: orgulho, violência e falta de hospitalidade
2.1 - O testemunho dos livros deuterocanônicos
2.2 - O Testemunho dos livros apócrifos
2.3 - Outras provas documentais
3 – Levítico: os cananeus e a prostituição cultual
3.1 - O termo “abominação”
3.2 - O papel das traduções no conhecimento da Bíblia
4 – Os Evangelhos: um reconhecimento à diversidade sexual
4.1 - Eunucos: outra designação para homossexuais
4.2 - O caso do centurião de Cafarnaum
5 – Romanos: as práticas orgíacas das bacanais e outros rituais
5.1 - Particularidades da religião romana
6 – 1º Coríntios e 1º Timóteo:
Prostituição masculina, devassidão e sexo abusivo entre homens
6.1 - As múltiplas traduções de malakoi e arsenokoitai
6.2 - Analisando o contexto sociocultural de Corinto
Conclusão
Apêndice I: Davi e Jônatas: uma amizade nada convencional
Apêndice II: Igrejas Inclusivas no Brasil
                   
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